quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CECÍLIA MEIRELES


Ultimamente não tenho lido muito autores brasileiros.
Lia mais quando era criança e pegava livros emprestados na biblioteca da escola. Lia Pedro Bandeira, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Mario Quintana, Monteiro Lobato, Werner Zotz (a casa em que ele viveu em Rio Negrinho foi reformada para se tornar o restaurante Tauscheck, da minha mãe em sociedade com minha tia), Rachel de Queiroz, Ana Maria Machado, Dalton Trevisan, Fernando Sabino, Lya Luft, Mário Prata, Ruth Rocha e a lista vai se estendendo.

Mas a autora de quem me lembro mais pois adorava seus livros, principalmente de poesia, era Cecília Meireles. (biografia em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles)

Há muito tempo que não leio obras dela, mas lembro bem do deleite que sentia ao absorver cada palavra tentando sentir o que ela sentiu ao escrevê-las, as emoções que a levaram a cada frase, cada ponto e vírgula, cada mensagem.

Por isso, como homenagem a ela, hoje posto duas de suas poesias, umas das minhas preferidas:


Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

Inscrição na Areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.

Cecília Meireles

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